Cibernéticas: A educação tecnológica como transformação social 


        É possível atravessar diversas camadas ao se debruçar nas dificuldades enfrentadas pelas mulheres, principalmente quando se fala delas em meio à tecnologia. Algo que bem se evidencia nas histórias do documentário “Cibernéticas”. Vivendo em um país onde a misoginia, o racismo e o sexismo percorrem a sociedade desde os primórdios, se torna essencial a busca pelo protagonismo e a discussão da presença feminina diante as diferentes áreas do conhecimento para além da visão empobrecedora de seu papel como frágil e incapaz. O campo tecnológico e a educação passariam a convergir quando aplicados com qualidade para desmitificar essa cultura de normalização adversa.

        A crescente fascinação da mulher pelo mundo da tecnologia reflete uma busca por informação e um espaço de transformação social em diversos contextos. A tecnologia, ao longo dos anos, mudou a vida das pessoas de maneira significativa, especialmente para aquelas que cresceram em realidades distintas, como negras e moradoras de periferias, em contraste com indivíduos que foram criados em ambientes de maior privilégio socioeconômico. Essa realidade evidencia a necessidade de promover a integração entre mulher, tecnologia e etnia, de modo a desenvolver uma compreensão mais ampla e consciente das desigualdades existentes e a estimular ações que impulsionem a inclusão e a equidade nesse cenário.

        As escolas, nesse viés, se apresentam como refúgios criativos, onde os professores incentivam os alunos a explorar novos horizontes e a buscar representatividade no contexto da tecnologia e de sua compreensão. A introdução precoce desse ensino nas bases educacionais não se limita ao acesso do conhecimento tecnológico, mas também prepara os estudantes para um mundo em constante evolução, promovendo uma formação mais inclusiva e consciente. Dessa forma, a educação infantil incorporaria de forma organizada o ensino computacional, garantindo que crianças de diferentes origens tenham a oportunidade de desenvolver habilidades criativas essenciais para o futuro, incluindo a programação e o entendimento de algoritmos para ter conhecimento prévio desse campo - já que há uma facilidade e, ultimamente, o uso frequente das áreas digitais.

        No entanto, o presente documentário tem como intuito demonstrar e discutir reflexões sobre a importância da implementação do ensino tecnológico dentro das instituições escolares para todas as crianças, independente do gênero, onde também se faz necessário a observação entre as barreiras que acabam dificultando essa ação, já que é nítido a falta de recursos e de profissionais preparados, o que favorece à ignorância voltada ao avanço dos estudantes nesse meio tecnológico. Diante disso, pode-se perceber que a educação é um meio ao qual auxilia a perpetuação da tecnologia como uma ferramenta essencial de transformação social, pois com investimentos e aprofundamento, ela se torna mais inclusiva e um agente que evita a reprodução das desigualdades existentes na sociedade. Sendo assim, é fundamental a inserção de políticas públicas que possam proporcionar uma formação de qualidade para os profissionais e a necessidade da democratização do acesso às tecnologias pois, somente dessa maneira, que será possível promover uma verdadeira inclusão digital, capaz de empoderar todas as camadas sociais.

         
Apresentação da nossa dupla!

Maria Clara

    Sou de 2006, e atualmente tenho 19 anos. Estudei em escola particular durante a maior parte da minha educação básica, mudando para a escola pública no final do Ensino Fundamental II. Quando iniciei minha formação estudantil, estive exposta aos livros didáticos, cadernos interativos, à introdução dos quadros brancos e pilotos com tinta, provas impressas, criação de cartazes com cartolina e papel bomba, além do uso de materiais recicláveis para atividades práticas. 
     Mesmo estando matriculada em uma instituição particular, tive maior acesso às tecnologias digitais a partir do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio, com a introdução de projeções por slides, uso do computador para criar relatórios, pesquisas na web, descoberta de aplicativos para confecção de materiais didáticos digitais. Os professores passaram a publicar as atividades no Classroom, utilizavam quizzes na internet para tornar as aulas mais interativas. Agora, o uso de livros era menos frequente, pois as explicações eram reproduzidas por datashow, e as atividades raramente eram impressas, sendo enviadas por PDF. São mudanças no nosso cotidiano que só notamos quando passamos por uma reflexão temporal. 


(Imagem autoral, 2014)

Grasielle

    Me chamo Dominga Grasielle, sempre estudei em escolas públicas, o Ensino Fundamental I no município de Campo do Brito - SE, já o Ensino Fundamental II e o Ensino Médio no estado de São Paulo. Por ser alguns anos mais velha — nem tanto, rsrsrs — que minha dupla, tive um maior acesso às tecnologias analógicas, dessa forma, meus estudos foram realizados com auxílio de cadernos, lápis, canetas, livros didáticos que eram fornecidos pelo governo federal e folhas tiradas de cópias no mimeógrafo — tinha um cheiro muito forte de álcool, material usado para transferir a tinta do estêncil para a folha.
    Com o passar dos anos, foram surgindo as tecnologias digitais e passamos a contar com o auxílio de computadores nos trabalhos escolares, assistíamos a filmes para realizar resumos, mas sem deixar de utilizar os meios analógicos, pois alguns professores ainda pediam que as pesquisas fossem realizadas em livros didáticos e/ou dicionários — o Aurélio, como chamávamos na época.

    Sendo assim, é perceptível que as tecnologias avançaram e acabaram por despertar o interesse dos estudantes e dos professores para a compreensão de variados assuntos, mas, por outro lado, pode-se ver que, em algumas situações, essas tecnologias são usadas de forma indevida, o que acaba gerando uma preocupação com relação ao seu uso.   

Lembrando que devemos usar ao nosso favor sempre que necessário!